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  • O rock da tarde é deles - por Tatiana Wuo

    O rock da tarde é deles* - por Tatiana Wuo
    Artistas independentes buscam seu lugar ao sol no Festival de Alegre

    *Matéria veiculada no Caderno Dois do jornal A Gazeta em 30 de Maio de 2007.

    Com o fim da mostra competitiva no Festival de Alegre deste ano, que acontece entre os dias 6 e 9 de junho, as bandas novas fazem do Rock da Tarde o principal reduto para mostrar seu trabalho. Aberto ao público, o palco montado estrategicamente na Praça da Bandeira, no Centro da cidade, é um dos points mais cobiçados pelos novos talentos.

    Afinal, quem não quer colocar seu bloco na rua em meio a um dos maiores festivais do país e, ainda por cima, para uma platéia ávida por música? Prova disso é o número recorde de inscrições de bandas e artistas interessados em participar da programação do Palco Livre deste ano - foram 50 inscritos, dos quais 12 ganharam o direito de mostrar seu som na cidade durante a 24ª edição do evento.

    Depois de passar pelo crivo da Secretaria de Cultura de Alegre, responsável pela seleção dos grupos, subir ao palco da praça é uma conquista. "Este é o terceiro ano em que mandamos material para a organização do Rock da Tarde, mas é a primeira vez que vamos tocar. É uma oportunidade importante para as bandas independentes, pois assim podemos divulgar nosso som para pessoas de todos os lugares, fazer novos contatos e, quem sabe, até marcar novos shows", comemora Henrique Arqlek, guitarrista e vocalista da banda WEBT.

    DIVERSIDADE. A programação do Palco Livre é eclética e contempla a diversidade de estilos. Mesmo dominado pelo rock, o espaço dá abertura para outras vertentes, como o pop, o axé e o pagode, com a participação de grupos de Estados vizinhos.

    A lista final dos shows da tarde inclui 8 artistas do Estado, sendo quatro de Vitória (Volume 7, Proxy*, Tutu com Ovo e a cantora Flávia Mendonça), dois de Alegre (Emboscada e Só Intimidade), um de Guaçuí (Código de Barras) e um de Vila Velha (WEBT). Ainda irão ecoar no Rock da Tarde bandas de Varginha, em Minas Gerais (Fly), e Rio de Janeiro (ZeroCalibre, Playmoboys e El Salvatore).

    André Mercier, guitarrista e vocalista da banda roqueira Proxy*, concorda com Arqlek e comemora a participação no Rock da Tarde. "O show em Alegre será uma oportunidade para mostrarmos nosso trabalho autoral e aumentar nosso público no Estado", afirma.

    Se para as bandas locais a oportunidade é única, para quem vem de fora participar do festival pode ser ainda mais interessante. "A gente tocou lá no ano passado, demos até entrevistas para as rádios. Vale a pena pela estrutura e pela possibilidade de mostrar nosso som. Estamos muito animados", afirma Jony, vocalista da banda carioca El Salvatore.

    Baixista da banda ZeroCalibre, também do Rio, Octavio Soares estará em Alegre pela segunda vez. "Participamos do projeto no ano passado e foi uma experiência muito legal, não só pela grandiosidade, mas também pela receptividade do público que prestigia o Rock da Tarde. Essa divulgação é muito importante para o nosso trabalho", explica.

    As bandas capixabas ainda ganham voz no palco principal do evento, no Parque de Exposições. Por lá, as bandas Estado de Sítio, Void, Beijo com Mel e ZDS abrem os shows em cada uma das noites do festival.

  • Rock tosco de propósito - por Gustavo Gouveia

    Rock tosco de propósito* - por Gustavo Gouveia

    *Release veiculado no blog VibeRock em 21 de Junho de 2007.

    Essa é a principal proposta da banda capixaba "WEBT" em seu primeiro CD "Cantigas de Roda". Gravado, mixado e masterizado no estúdio BPM, em Copacabana, o registro foi produzido por Zé Felipe, nome pelo qual já passaram bandas consagradas do punk rock nacional, como Carbona, Staples e Ack.

    O trio, formado por Henrique Arqlek nas guitarras e vocais, Manéu na bateria e um terceiro membro que atende pelo nome de "El Ocho Felino" no baixo, denomina o seu estilo de "toskocore", um punk hardcore que é tosco propositalmente.

    O próprio nome do CD já sugere algo irreverente (Cantigas de Roda em uma banda de hardcore), e o registro é fiel ao esperado. São 14 faixas de punk rock tosco que atingem no máximo dois minutos cada uma. As influências são variadas girando não só em torno da música (como Mukeka di Rato, Ramones e Beach Boys), como da televisão (Chaves e Chapolin) e de brincadeiras de infância.

    A gravação não é de qualidade ruim, mas o som é mal-tocado propositalmente, dando a impressão de que a gravação faz jus ao som.

    É difícil encontrar uma faixa emblemática no álbum, pois todas merecem destaque. Mas com certeza a faixa "Lepotéca" precisa ser citada. Para se ter noção, esta é um toskocore de apenas 14 segundos com a música da velha brincadeira em versão rápida e gritada.

    Outra que merece destaque é "Garotinha do All-Star Vermelho", a segunda faixa do disco, mais pela participação especial de Henrique Badke (Carbona) nos vocais. Esta é um punk rock bubblegum com grandes influências de The Queers e da própria Carbona.

    "Toskocore a Nova Onda" é a faixa 11 da bolacha e deve ser citada pois, além da participação de um vocal feminino desconhecido, cita o extinto Entre-Amigos, a mais famosa casa de hardcore em Vila Velha, além de parodiar no final o hit de axé "olha a onda".

    Rapaziada, o toskocore é isso aí, e nada melhor que "Cantigas de Roda", para quem não conhece o som e quer pegar gosto pela coisa. Se o som em si não agradar, pelo menos o WEBT já garante boas risadas através de ótimo humor para se fazer música.

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